Cargas opostas


Um amor suburbano. Ligado por um emaranhado de fios pendurados, expectativas absurdas e um gato de problemas. Sustentar e enfiar energia por cabos de aço que não passavam de desafetos conjugais. E os cabo de aço não passavam de carne. E de todos aqueles fios desencapados, bombas injetoras de ar, poeira sobre tudo, e o aspecto de uma cidade antiga. Provavelmente patrimônio cultural que não passa de cacos, e pedaços de parede cheias de mofos e caindo os pedaços. Cargas opostas se atraem apenas na química. E talvez nessa bagaça de embolados fios entrelaçados pelo chão. E depois de tudo, sobre tudo. De tanta carga junta e conjunta, o cheiro de queimado se exala com ajuda do vento. Tudo se espalha, e o odor minucioso toma conta de toda parte da casa. Uma possível queda de energia sem previsão de voltar como era antes. Aceso e claro. Diferente do que é agora. Apagado e escuro. Eu nunca a entendi. E não foi por falta de esforços.

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