Monstro


Nada como um dia após o outro. Nada mais que um amor fracassado. Nada além do que pouco tempo de beijo. E o insuportável tempo perdido. Jamais serei o que fui um dia. Renovo a cada estação amorosa. Balanceado. Não aprendi a me criar com os anjos. Foi com os demônios que me acertei. Foi por te amar demais que descobri que sempre faltou amor para que fosse suficiente. Não precisa entender para viver. Viver ultrapassa qualquer entendimento. E qualquer outro patife de compreensão. Existe um anjo em mim que me torna um santo. Mas em compensação habita em mim um diabo, que me torna um monstro. Um vive do outro, como eu vivo de mim. Auto-suficiência necessária. Porque sentir por alguém o que não se sente por si mesmo, é viver no outro e não de si. Talvez isso explica porque os beijos ácidos que rapidamente me dera um dia, foram retribuídos com amor. Talvez tudo que eu saiba sobre o amor, foi o nada que a vida me ensinou. E que você teve participação. Talvez seja eu que deva ter medo de um anjo, mas é você que deverá temer o diabo. Sim! Eu sou um monstro. E monstros arrependem de terem se envolvido com criancinhas.

Texto Adaptado de Gustavo Pontelo (The Revange)

Lord Blasé


Não sou do tipo de quem aguenta desaforos. Aguento até rigores, mas não desaforos. Não engulo sapos, porque não faço parte desse cadeia alimentar. O inferno está mais próximo do que você imagina. Ele é alto, tem barba no rosto e é discreto. Finge ser agradável e está do seu lado. É o que eu faço que me sustenta. Alimenta minha alma. Gosto desse ar de poder. Desse tom que medo. Imponência e respeito tem um gosto gostoso. Mas falta em mim fascinação de viver novas sensações. Se possível sangrenta e que quebre totalmente alguém por dentro. Ênfase no totalmente. Essa tortura que me seduz e que tanto me excita. Mas cheguei a conclusão de que tristeza demais também não traz inspiração. É preciso estar balanceado para ser flexível. Mas não vivo de tristeza. Vivo de sabores. O sofrimento do resto tem um sabor gostoso. Mas estou cansado. Entediado porque eles tem o mesmo gosto.

Godfather



Ontem eu usava ser normal. Hoje uso ser eu. A melhor parte de mim só conhece quem convive. Não está exposto para todos verem. Não está escondido porque não vi necessidade de esconder. Em milhares de cacos, vivo andando. Andarilho como qualquer outro viajante simples. Manipulador e dono de um charme extra(ordinário). Engano corações, embolo problemas, embaraço soluções. Eu disse que te amava. Disse. Mas nunca disse que era verdade. Sou um anjo, mas nunca disse que era bom. Ríspido e áspero, convivo com quem me interessa. Era uma boa pessoa, até tornar o que tornei, devido os arranjos que o destino me guardou. Sou eu, uma mistura de lorde inglês com jagunço. Não falo alemão, mas eu falo se você quiser. Às vezes estou no alto. Mas na maioria das vezes estou no baixo. Mas ninguém precisa saber as dificuldades que passei até alcançar altura suficiente para estar acima do que eu chamo de resto. Se você diz que eu sou frio, você realmente não me conhece.

Ao som do inferno



Nada ficou no lugar. Eu vou escrever em seu muro e violentar o seu rosto com aquele mesmo buquet de espinhos. Eu quero roubar no seu jogo, eu já arranhei os seus discos. Que é para você volta, que é pra ver se você vem, que é pra ver se você olha pra mim. Eu quero entregar suas mentiras. Eu vou invadir sua alma. Queria falar sua língua. Vou publicar seus segredos, vou mergulhar sua guia. Vou derramar nos seus planos o resto da minha alegria. Porque se você voltar, e me procurar ainda vou estar lá. Olhando com as migalhas de desejos, porque é aí que você vem e vai ser eu que não olharei pra você.  Eu vou enganar o diabo. E dançar ao som do inferno, vendo você sofrer o mesmo tanto que sofri.

Grand Finale



Diante todo aquele prosmíscuo tempo de todo aquele meu prosmíscuo amor. Eu desejei não ser mais eu, para ser qualquer coisa que pudesse ser sua. Eu queria te ver hoje, te olhar nos olhos e te acusar mais uma vez de que foi você quem fez aquele estrume bem na porta do meu coração. E assim você se revela, me entregando quase de graça um tapa de um lado da face. Eu te ofereço o outro lado, para bater um pouco mais forte. No dia em que fui mais feliz, eu vi um avião se espelhar no seu olhar, até sumir. De lá pra cá, não sei. Caminho ao longo do canal, procuro uma melhor rota para quem sabe um dia navegar. O leão que sempre cavalguei. O resto que ainda existia. No dia em que fui mais feliz acabou. No dia em que serei mais feliz, sem você. É o final. Um grande final. Teve uma data. Teve esse dia. Você não me quis e eu te queria.

Die Dame Spitzen Kleid



Ela, ao tocar do piano tinha um rumo certo. Instanteneamente encontrei-me seduzido pelos olhos singelos sinceros e brilhantes, pelo corpo perfeitamente esculpido e assentado em um vestido de renda. Definitivamente atraído pelas mãos inseguras daquela mulher, trêmulas e geladas, cheguei a flutuar e me perder na estrutura na escultura desenhada em minha frente. Cheguei a parar, e um sorriso, suavemente, desmanchar por não compreender o motivo de tanto meu coração bater naquele lugar alemão. Ouvia sua fragrância e todos aqueles aromas misturados em um só corpo, sentia sua voz penetrar em meus ouvidos e dali não mais sair. Ela me tocou com um olhar brilhante espelhando aos detalhes do encantamento. Tempo que era para o beijo, fora interrompido pelo sol na janela. Acordo e finjo que tudo que sonhei fora verdade. Todos esses ignorantes detalhes que no final fazem toda diferença.
Texto Adaptado de Ana Luísa Mendes.

Scarface



Não foi só no meu rosto discreto que você passou todo aquele seu veneno, escondido dentro de uma garota meiga e um dia apaixonante. Não foi só em meu corpo nada escultural que deixaste marcado o rastro da cobra. Não foi só dentro do meu órgão promissor que você arrancaste todo meu sangue interrompendo a passagem de todo resto de amor que ali existia. O que me machucou ontem, hoje já não machuca mais. O que me fez crescer ontem, hoje não cresce mais. Juro que te amei. Te amei demais, mais do que deveria amar alguém. Amei tanto que nem notei que você olhava pro rosto ao lado enquanto se contorcia vazia, e me beijava torto com gosto de picles. Pequei justo nesse momento desgraçado em que abri a boca e disse que lhe amava. Não menti quanto à isso, só falei verdade demais. Fingiu-se de vítima. Comprovando o que era impossível de se comprovar. Dizia que eu tinha que entender, porque o amor é assim, divergente. Amor? Logo você, me dizendo sobre amor? Há controvérsias. Me chame do que quiser, eu não importo. Hoje escuto o que me interessa. Qualquer coisa que venha da sua boca, é para mim, hálito matinal. Podre e passageiro. Assim como o que um dia tivemos. Depois que acabou, não quero explicações. Elas não me convencerão, e você gastará sua saliva fedida atoa. Sabe qual é a nossa única diferença? Você ama com os olhos. Eu prefiro deixar de amar do que me iludir com um rosto bonito.

Entre os vícios e barrancos



Entre os vícios dos bonobos. Diante a um jogo de xadrez. Sobre os tentáculos do meu amor. Esfarinho meu corpo junto com o movimento de acordes que você fazia sobre a cama. Dança ligada severamente a um estático retrato. Monumento paranormal que me sugava os olhos. Seu corpo desnudo sobre um emaranhado de lençóis me condensava de tesão pressuposto ao que chamam de amor. Diante o seu plano perverso de fazer meu gozo escorrer sobre seu sorriso, o esquentar do corpo era apenas um detalhe. A ânsia de seu corpo gritando o meu. Os movimentos acelerados e retilíneos com sua lombar. A cervical dobrava feito papel. Escutava seu coração do outro da rua. Escutava seu coração da esquina. Escutava do outro canto da cidade. Não sei como, só sei que escutava. E isso me fazia jorrar saudades.

Prazer



Um dia fui bom. Era inocente, acreditava em tudo que é patifes que me dissera. Bobo com algumas pitadas de burrice. Errei muito. Assim como você erra. Que eu saiba, não tenho codificadores ou qualquer algo do tipo que possa controlar o que realmente faço. E ninguém é alto o bastante para dizer o que mereço ou deixo de merecer. Hoje, tenho o prazer de ser como sou. Desconfiar dos outros é pouco. Amo quem eu quero. Tenho prazer de ser ruim. Tenho o prazer de não mais sofrer. Quanto mais eu erro, mais acho que nunca errei. Afinal, diante os pecados de cada um, meu único pecado foi ter dito "sim" à quem merecia "nunca". E não vai ser por isso que vou queimar no inferno.

O que mais preciso lhe oferecer?



A distancia é um detalhe. Esse detalhe separa, desola, desagua, deixa longe e tudo se acaba. Mas diante as tentações cotidianas, da distancia relativa entre o eu e o você, não é nada perto do que ando sentindo. Quando não se acha palavras, descrições ou acordos ortográficos para distinguir ou sequer descrever o que se passa por dentro de meus esconderijos mais escuros. Quando se perde o sono, a razão e todos aqueles métodos convencionais de se ler um livro. Quando se anda paralisado através de planos cartesianos elevados a uma potência infinita sem um resultado exato. Nunca simpatizei com os números e todas as suas propriedades sem fim. Espero e reparo em mim mesmo. Há algo de errado. Ou algo de muito certo. Não tenho muito para lhe oferecer. Mas o que tenho, já lhe é o suficiente para você me amar igual ou um pouco mais do que eu te amo.

Colheita (In)Feliz



Se está doendo, é porque existe motivos para a possível dor. Juro que não entendo até hoje o porque você fez o que fez. Juro que procuro entender, e as vezes perco meu tempo pensando e procurando algo convincente que possa me explicar. Você dever achar que eu nunca irei esquecer e parar de tocar sempre nesse assunto delicado indelicado. Sei que o que já passou já se foi. Mas as cicatrizes ficam para lembrarmos do tamanho do ferimento. Reviro o que for necessário, volto no meu passado porque o que sou hoje, devo a ele. Doeu em mim, hoje o machucado aberto se fechou e conservo a cicatriz. Hoje não dói mais. Só incomoda ter que conviver com essa presepada que o senhor armou para mim. Infelizmente. Ou felizmente. Mas aguarde. Quem planta traição, colhe discórdia. E não vai demorar muito tempo para sua plantação começar a fase de colheita.

Veia por veia, artéria por artéria até chegar ao coração



E diante tudo o que passei. Desavenças, ilusões, e todos os outros ecléticos tipos de desamor possível. Caminho tortuoso em que insistir em seguir. Cacos de vidro ao chão, enquanto passava descalço e no escuro. Comi do pão que o diabo amassou. Expressão incompreensível,  pois em nenhum lugar da Bíblia diz que o diabo era padeiro. Enfim. Becos, cantos e caminhos que me pareciam um bordel qualquer. Por tanto tempo tentar. Por tanto tempo não achar. Por tanto tempo insistir e não conseguir. Te encontrei. Simples assim. Descobri que com um olhar mais simples, com as palavras mais humildes e com um jeito tão indescritível, você me ganhou. Ganhou meus amores, ganhou meus desejos, anseios, planos, construções. Me ganhou inteiro. Veia por veia, artéria por artéria até chegar ao coração. E você vai encontrar alguém que vai mudar, a sua vida da noite pro dia. Assim como eu. Pode ser amor, mas que seja verdadeiro. Pode ser paixão, mas que tenha desejo. Pode ser felicidade mais que seja duradoura. Pode ser eu, mas que seja com você.

Sinto


Eu não quero perder mais nada. Não sei o que sou eu hoje se te perder agora. Eu te amo. Eu poderia ficar acordado a noite toda para ouvir sua respiração. Ver seu rosto sorrindo enquanto dorme. Enquanto está longe, sonhando avulso. Eu poderia passar minha vida inteira nessa doce entrega. Eu poderia me perder nesses momentos. Não quero fechar meus olhos. Mesmo que eu sonhe com você todas as noites de todos os tempo não seria o suficiente. Não seria. Sinto falta de você. Sinto falta dos seus beijos antes mesmo de serem provados. Sinto você em meus olhos. Em meu corpo. Eu te amo, e esse coração que quase não bate, agora é seu. Até que não bata mais. 

Senhas



Eu não gosto do bom gosto. Eu não gosto de bom senso. Não gosto. Eu aguento até rigores, eu não tenho pena dos traídos, eu hospedo infratores e banidos. Eu respeito conveniências. Eu não ligo para conchavos. Eu suporto aparências. Eu não gosto de maus tratos. Mas o que eu não gosto é do bom gosto. Eu não gosto de bom senso. Não gosto. Eu aguento até os modernos e seus segundos cadernos. Eu aguento até os caretas e suas verdades perfeitas. Eu aguento até os estetas. Eu não julgo competência. Eu não ligo para etiqueta. Eu aplaudo rebeldia. E eu respeitos tiranias. Compreendo piedades. Não condeno mentiras. Não condeno de vaidades. Eu gosto é dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem.

Eu



Eu perco o chão. Eu não acho as palavras, eu ando tão triste, eu ando pelo a sala, eu perco a hora. Eu chego no fim. Eu deixo a porta, aberta. Eu não moro mais em mim. Eu perco as chaves de casa, eu perco o freio. Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio. Onde será que você está agora? Enquanto a música toca, meu coração implora e minhas veias não cessam em te querer. Enquanto sonho com você, com seus cabelos ondulados, seu sorriso obviamente perfeito, e seu jeito indescritível. Enquanto te amo com um nó na garganta que me mata por ter que esconder esse meu amor possessivo. Enquanto te amo calado.

Demais




Qualquer instante que fico sem te ver, aumenta a saudade que tenho de você. E não suporto você longe de mim. Se está ao meu lado, eu só ando devagar. Esqueço de tudo e não vejo o tempo passar, mas chega a hora de ir pra casa te levar. Corro depressa pra outro dia ver chegar.  Se você vivesse sempre ao meu lado eu não teria motivo pra correr e devagar eu andaria. Eu não corria demais. Eu não sofreria demais. Eu não te amaria demais.

Eu ando pelo mundo


Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome. Cores de Almodovar. Traços secos que se escondem nos céus. Eu ando pelo mundo, passeio no escuro, corro entre os becos. Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone. E vendo doer a fome nos meninos que tem fome. Eu ando pelo mundo, e vejo tudo enquadrado. Exponho meus modos. Eu ando pelo mundo, e meus amigos cadê? Minhas alegrias e meus cansaços. Meu amor cadê você? Eu acordei. Não tem ninguém ao lado.

Algo que jamais se esclareceu


Mesmo sei que o destino me quis só. Fazia muitas cartas para ninguém. Mandei flores para mim mesmo. Algo que jamais se esclareceu. Sei que o céu reuniu-se a terra, um instante por nós dois. Pouco antes do acidente se assombrar. Acidentalmente seus lábios encostaram ao meu. Com grandes pretensões. O nosso amor não vai olhar para trás. Desencantar, nem ser tema de livro. A vida inteira eu quis um verso simples para transformar o que eu digo. Rimas fáceis, calafrios. Vivo eu por um segundo mais feliz. No dia em que serei mais feliz.

Beira do mar


Quando o dia morre, a noite avança. A noite soturna tristonha descansa. O mundo adormece e o meu coração balança. A lua no céu, brilha mais do que deveria, jogando reflexo dourado nas águas. Rasgando o véu negro que envolve o espaço. Cheio de enigmas completo de enredos. Guardando mistérios e grandes segredos. Ciências ocultas que o chão desconhece. Um minuto apenas não pode parar. A Terra girando suspensa no ar. E meu coração encadeia um romance. 

Viver de nós



Nas torturas, toda carne se trai. Me consumi pelo desejo que me esquentava. Com devoção. Depois do aço dos meus olhos e o fel das minhas palavras, acalmaram meus silêncios, mas deixaram suas marcas. Coração rebocado, remexido e chapiscado. O tempo correu, e o relógio andou. Meros devaneios tolos a me torturar. O tempo passou e fiquei conhecendo você. E descendo dessa solidão que normalmente, comumente, fatalmente, infelizmente, displicentemente o nervo se contrai. Com precisão. Como um passatempo quero mais te ver. Com aflição. Gozar de nós. Viver do nós. E te beijar me marcando a cara com seu batom marcante. Um compromisso submisso, rebuliço, e contagiante. Quero me deitar em seus braços. Sentir seu cabelo encaracolado lindo e seu sorriso violeta. Viver de nós. Com amor de nós.