Texto Adaptado de Gustavo Pontelo (The Revange)
Monstro
Lord Blasé
Godfather
Ontem eu usava ser normal. Hoje uso ser eu. A melhor parte de mim só conhece quem convive. Não está exposto para todos verem. Não está escondido porque não vi necessidade de esconder. Em milhares de cacos, vivo andando. Andarilho como qualquer outro viajante simples. Manipulador e dono de um charme extra(ordinário). Engano corações, embolo problemas, embaraço soluções. Eu disse que te amava. Disse. Mas nunca disse que era verdade. Sou um anjo, mas nunca disse que era bom. Ríspido e áspero, convivo com quem me interessa. Era uma boa pessoa, até tornar o que tornei, devido os arranjos que o destino me guardou. Sou eu, uma mistura de lorde inglês com jagunço. Não falo alemão, mas eu falo se você quiser. Às vezes estou no alto. Mas na maioria das vezes estou no baixo. Mas ninguém precisa saber as dificuldades que passei até alcançar altura suficiente para estar acima do que eu chamo de resto. Se você diz que eu sou frio, você realmente não me conhece.
Ao som do inferno
Nada ficou no lugar. Eu vou escrever em seu muro e violentar o seu rosto com aquele mesmo buquet de espinhos. Eu quero roubar no seu jogo, eu já arranhei os seus discos. Que é para você volta, que é pra ver se você vem, que é pra ver se você olha pra mim. Eu quero entregar suas mentiras. Eu vou invadir sua alma. Queria falar sua língua. Vou publicar seus segredos, vou mergulhar sua guia. Vou derramar nos seus planos o resto da minha alegria. Porque se você voltar, e me procurar ainda vou estar lá. Olhando com as migalhas de desejos, porque é aí que você vem e vai ser eu que não olharei pra você. Eu vou enganar o diabo. E dançar ao som do inferno, vendo você sofrer o mesmo tanto que sofri.
Grand Finale
Diante todo aquele prosmíscuo tempo de todo aquele meu prosmíscuo amor. Eu desejei não ser mais eu, para ser qualquer coisa que pudesse ser sua. Eu queria te ver hoje, te olhar nos olhos e te acusar mais uma vez de que foi você quem fez aquele estrume bem na porta do meu coração. E assim você se revela, me entregando quase de graça um tapa de um lado da face. Eu te ofereço o outro lado, para bater um pouco mais forte. No dia em que fui mais feliz, eu vi um avião se espelhar no seu olhar, até sumir. De lá pra cá, não sei. Caminho ao longo do canal, procuro uma melhor rota para quem sabe um dia navegar. O leão que sempre cavalguei. O resto que ainda existia. No dia em que fui mais feliz acabou. No dia em que serei mais feliz, sem você. É o final. Um grande final. Teve uma data. Teve esse dia. Você não me quis e eu te queria.
Die Dame Spitzen Kleid
Ela, ao tocar do piano tinha um rumo certo. Instanteneamente encontrei-me seduzido pelos olhos singelos sinceros e brilhantes, pelo corpo perfeitamente esculpido e assentado em um vestido de renda. Definitivamente atraído pelas mãos inseguras daquela mulher, trêmulas e geladas, cheguei a flutuar e me perder na estrutura na escultura desenhada em minha frente. Cheguei a parar, e um sorriso, suavemente, desmanchar por não compreender o motivo de tanto meu coração bater naquele lugar alemão. Ouvia sua fragrância e todos aqueles aromas misturados em um só corpo, sentia sua voz penetrar em meus ouvidos e dali não mais sair. Ela me tocou com um olhar brilhante espelhando aos detalhes do encantamento. Tempo que era para o beijo, fora interrompido pelo sol na janela. Acordo e finjo que tudo que sonhei fora verdade. Todos esses ignorantes detalhes que no final fazem toda diferença.
Texto Adaptado de Ana Luísa Mendes.
Scarface
Não foi só no meu rosto discreto que você passou todo aquele seu veneno, escondido dentro de uma garota meiga e um dia apaixonante. Não foi só em meu corpo nada escultural que deixaste marcado o rastro da cobra. Não foi só dentro do meu órgão promissor que você arrancaste todo meu sangue interrompendo a passagem de todo resto de amor que ali existia. O que me machucou ontem, hoje já não machuca mais. O que me fez crescer ontem, hoje não cresce mais. Juro que te amei. Te amei demais, mais do que deveria amar alguém. Amei tanto que nem notei que você olhava pro rosto ao lado enquanto se contorcia vazia, e me beijava torto com gosto de picles. Pequei justo nesse momento desgraçado em que abri a boca e disse que lhe amava. Não menti quanto à isso, só falei verdade demais. Fingiu-se de vítima. Comprovando o que era impossível de se comprovar. Dizia que eu tinha que entender, porque o amor é assim, divergente. Amor? Logo você, me dizendo sobre amor? Há controvérsias. Me chame do que quiser, eu não importo. Hoje escuto o que me interessa. Qualquer coisa que venha da sua boca, é para mim, hálito matinal. Podre e passageiro. Assim como o que um dia tivemos. Depois que acabou, não quero explicações. Elas não me convencerão, e você gastará sua saliva fedida atoa. Sabe qual é a nossa única diferença? Você ama com os olhos. Eu prefiro deixar de amar do que me iludir com um rosto bonito.
Entre os vícios e barrancos
Entre os vícios dos bonobos. Diante a um jogo de xadrez. Sobre os tentáculos do meu amor. Esfarinho meu corpo junto com o movimento de acordes que você fazia sobre a cama. Dança ligada severamente a um estático retrato. Monumento paranormal que me sugava os olhos. Seu corpo desnudo sobre um emaranhado de lençóis me condensava de tesão pressuposto ao que chamam de amor. Diante o seu plano perverso de fazer meu gozo escorrer sobre seu sorriso, o esquentar do corpo era apenas um detalhe. A ânsia de seu corpo gritando o meu. Os movimentos acelerados e retilíneos com sua lombar. A cervical dobrava feito papel. Escutava seu coração do outro da rua. Escutava seu coração da esquina. Escutava do outro canto da cidade. Não sei como, só sei que escutava. E isso me fazia jorrar saudades.
Prazer
Um dia fui bom. Era inocente, acreditava em tudo que é patifes que me dissera. Bobo com algumas pitadas de burrice. Errei muito. Assim como você erra. Que eu saiba, não tenho codificadores ou qualquer algo do tipo que possa controlar o que realmente faço. E ninguém é alto o bastante para dizer o que mereço ou deixo de merecer. Hoje, tenho o prazer de ser como sou. Desconfiar dos outros é pouco. Amo quem eu quero. Tenho prazer de ser ruim. Tenho o prazer de não mais sofrer. Quanto mais eu erro, mais acho que nunca errei. Afinal, diante os pecados de cada um, meu único pecado foi ter dito "sim" à quem merecia "nunca". E não vai ser por isso que vou queimar no inferno.
O que mais preciso lhe oferecer?
A distancia é um detalhe. Esse detalhe separa, desola, desagua, deixa longe e tudo se acaba. Mas diante as tentações cotidianas, da distancia relativa entre o eu e o você, não é nada perto do que ando sentindo. Quando não se acha palavras, descrições ou acordos ortográficos para distinguir ou sequer descrever o que se passa por dentro de meus esconderijos mais escuros. Quando se perde o sono, a razão e todos aqueles métodos convencionais de se ler um livro. Quando se anda paralisado através de planos cartesianos elevados a uma potência infinita sem um resultado exato. Nunca simpatizei com os números e todas as suas propriedades sem fim. Espero e reparo em mim mesmo. Há algo de errado. Ou algo de muito certo. Não tenho muito para lhe oferecer. Mas o que tenho, já lhe é o suficiente para você me amar igual ou um pouco mais do que eu te amo.
Colheita (In)Feliz
Veia por veia, artéria por artéria até chegar ao coração
E diante tudo o que passei. Desavenças, ilusões, e todos os outros ecléticos tipos de desamor possível. Caminho tortuoso em que insistir em seguir. Cacos de vidro ao chão, enquanto passava descalço e no escuro. Comi do pão que o diabo amassou. Expressão incompreensível, pois em nenhum lugar da Bíblia diz que o diabo era padeiro. Enfim. Becos, cantos e caminhos que me pareciam um bordel qualquer. Por tanto tempo tentar. Por tanto tempo não achar. Por tanto tempo insistir e não conseguir. Te encontrei. Simples assim. Descobri que com um olhar mais simples, com as palavras mais humildes e com um jeito tão indescritível, você me ganhou. Ganhou meus amores, ganhou meus desejos, anseios, planos, construções. Me ganhou inteiro. Veia por veia, artéria por artéria até chegar ao coração. E você vai encontrar alguém que vai mudar, a sua vida da noite pro dia. Assim como eu. Pode ser amor, mas que seja verdadeiro. Pode ser paixão, mas que tenha desejo. Pode ser felicidade mais que seja duradoura. Pode ser eu, mas que seja com você.
Sinto
Senhas
Eu não gosto do bom gosto. Eu não gosto de bom senso. Não gosto. Eu aguento até rigores, eu não tenho pena dos traídos, eu hospedo infratores e banidos. Eu respeito conveniências. Eu não ligo para conchavos. Eu suporto aparências. Eu não gosto de maus tratos. Mas o que eu não gosto é do bom gosto. Eu não gosto de bom senso. Não gosto. Eu aguento até os modernos e seus segundos cadernos. Eu aguento até os caretas e suas verdades perfeitas. Eu aguento até os estetas. Eu não julgo competência. Eu não ligo para etiqueta. Eu aplaudo rebeldia. E eu respeitos tiranias. Compreendo piedades. Não condeno mentiras. Não condeno de vaidades. Eu gosto é dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem.
Eu
Eu perco o chão. Eu não acho as palavras, eu ando tão triste, eu ando pelo a sala, eu perco a hora. Eu chego no fim. Eu deixo a porta, aberta. Eu não moro mais em mim. Eu perco as chaves de casa, eu perco o freio. Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio. Onde será que você está agora? Enquanto a música toca, meu coração implora e minhas veias não cessam em te querer. Enquanto sonho com você, com seus cabelos ondulados, seu sorriso obviamente perfeito, e seu jeito indescritível. Enquanto te amo com um nó na garganta que me mata por ter que esconder esse meu amor possessivo. Enquanto te amo calado.
Demais
Qualquer instante que fico sem te ver, aumenta a saudade que tenho de você. E não suporto você longe de mim. Se está ao meu lado, eu só ando devagar. Esqueço de tudo e não vejo o tempo passar, mas chega a hora de ir pra casa te levar. Corro depressa pra outro dia ver chegar. Se você vivesse sempre ao meu lado eu não teria motivo pra correr e devagar eu andaria. Eu não corria demais. Eu não sofreria demais. Eu não te amaria demais.
Eu ando pelo mundo
Algo que jamais se esclareceu
Beira do mar
Viver de nós
Nas torturas, toda carne se trai. Me consumi pelo desejo que me esquentava. Com devoção. Depois do aço dos meus olhos e o fel das minhas palavras, acalmaram meus silêncios, mas deixaram suas marcas. Coração rebocado, remexido e chapiscado. O tempo correu, e o relógio andou. Meros devaneios tolos a me torturar. O tempo passou e fiquei conhecendo você. E descendo dessa solidão que normalmente, comumente, fatalmente, infelizmente, displicentemente o nervo se contrai. Com precisão. Como um passatempo quero mais te ver. Com aflição. Gozar de nós. Viver do nós. E te beijar me marcando a cara com seu batom marcante. Um compromisso submisso, rebuliço, e contagiante. Quero me deitar em seus braços. Sentir seu cabelo encaracolado lindo e seu sorriso violeta. Viver de nós. Com amor de nós.
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