Amado


Como pode ser, gostar de alguém. E esse alguém não ser seu. Fico desejando nós, gastando o mar. Pôr-do-sol, posta, mais ninguém. Peço tanto a Deus para esquecer. Mas só de pedir me lembro, minha linda flor, meu jasmim será, meus melhores beijos serão seus. Sinto que você é ligado a mim. Sempre que estou indo, volto atrás. Estou entregue a ponto de estar sempre só, esperando um sim ou nunca mais. É tanta graça, lá fora passa o tempo sem você. Mas pode sim ser sim, amado e tudo acontecer. Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão nem pena. Nessa doação, milagres do amor sinto uma extensão divina. Quero dançar com você.

Vermelho Escuro



Por muitas noites te amei sozinho. Por quantas noites implorei tanto teus carinhos. Minha fantasia era acordar e estar ao teu lado, realização contigo em sonho vivi sozinho. Minha alegria era você existir e a angustia era não te sentir. Sempre parti com palavras felizesSempre disse: vou amando-te! Morria aos poucos com tuas mentiras. As mesmas que dizias não ser tuas.
Matou-me pelo teu desprezo a paulada e assim vivi o vermelho escuro de amar e não ser amado. Sozinho. Sozinho acompanhado de lágrimas desperdiçadas. E de desespero morri. Morri!

Recordações de um passado sem saudades


Tudo que a antena captar, meu coração captura. Foi minha antena te captar. Um dia como todos os outros, todos já foram bons. Exceto aqueles que nascem com desvio de caráter mais que o normal. Uma pena eu não ter nascido com alguns desvios! A inocência me cegava e fazia com que eu acreditasse em quaisquer patifes que me diziam. Bobo, com algumas pitadas de burrice. Errei muito. Assim como todos erram. Assim como você erra. Porém, quanto mais eu erro, mais eu acho que nunca errei. E do mesmo veneno que provei, fiz você provar. Do mesmo desamor que você me fez provar, fiz você almejar o meu amor. Afinal, diante os pecados de cada um, meu único pecado foi ter dito sim à quem merecia nunca. E não vai ser por isso que vou queimar no inferno.

Manual do pecador


Para sintonizar, sozinha. Há um cheiro novo no ar. Os cabelos embaraçados e a pele fumegante. Descansa os olhos, sossega a boca em gélidos gemidos abafados pelo sons do dia que insistem em adentrar janela, rasgando cortinas e permanecendo ali, em constante movimento. Raspa suas mãos sobre as pernas e com o desejo de saciar seus gozos vomita as tripas e os poros sobre os lençóis. A pele contempla com arrepio e suor. Sozinha. Para se adequar, sozinho. Por alguns tons de necessidade. Tudo está fechado, nem precisava tanto. Há um cheiro novo no ar. O suor na blusa sobre a cadeira, o odor pesado e forte de primata. Esquece os olhos, e diante a movimentação dos membros, polegar opositor e viagem no mundo dos sonhos mata sua vontade e necessidade erótica de se auto saciar. Sozinho. E enquanto o tempo passa e o acaso não decide em encontrar essas almas, eles se saciam sozinhos, um por ele mesmo ao invés de fazer de dois um e deleitarem do prazer carnal pecador um pelo outro.