Falta-me o fermento que dava sabor à minha vida, o encantamento que me despertava ao longo de meu sono a alta noite. Aquilo que pela manhã me arrancava ao sono desvaneceu-se para mim. Quase sempre, é por estupidez, falta de julgamento, estreiteza de espírito, e, a dar-lhes, crédito, fazem tudo isso com a melhor das intenções. Quantas vezes eu tenho vontade de pedir-lhes, de joelhos, que não rasguem as entranhas com tamanho furor? Quantas serão as vezes que lhe suplico que tenhas pelo menos um pouco de humildade? E quantas vezes minhas palavras e salivas serão gastas lhe suplicando isso?
Acabo de sofrer uma afronta que me fará sair daqui. Ranjo os dentes , só de pensar! Maldição! A coisa e irreparável e vocês, só vocês são os causadores, vocês que me empurraram, acicataram, perseguiram, para obrigar-me a ocupar um posto que não me convinha. Sofro aquilo que merecia! E vocês também! Eu de forma alguma sofreria sozinho por algo que nem foi eu quem fiz. E não me venham dizer que foram as minhas ideias extravagantes que estragaram tudo! Eis, meu caro senhor, um relato simples e claro, tal como poderia fazê-lo um cronista. Ou quem sabe um jornalista. Escritor fajuto que relatastes pequenas e sujas colunas em jornal barato. Você(s) hipócrita(s). Sujos e baderneiros. Isso tudo fez meu sangue ferver.
As lágrimas corriam-lhe na face. Eu estava fora de mim. Ela as enxugou, sem procurar ocultá-las. Mas ela quem? E minha boca é lacrada. Meu silêncio honrou o gesto da linda mulher. A história de ódio comum se transformou e tomou outro caminho. Caminho diferente ao do acima citado. A linda mulher, cujo nunca tinha reparado, enxuga-me as lágrimas e eu me vejo apaixonado.

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