Naquela noite




Foi naquela noite. Iria propor algo diferente. Iria propor veneno. Estava propondo um jogo que ela já entrou perdendo. E na algazarra silenciosa os sapatos discutiam a relação. Enquanto jogávamos ingenuamente. Pelo menos da parte dela. E me sentia só. Me sinto melhor só do que se estivesse com alguém incapaz de me sentir único. Ou talvez acompanhado melhor do que minha própria companhia para mim mesmo. E o meu paletó brigava com o seu casaco na penteadeira atrás da porta. Dava para ouvir. E os nossos laços se desunirão. Nossas escovas se dispersaram. Nosso amor vagou no nada. E apesar daquilo e disso, meus dedos rugiam chamando seu corpo. Meus olhos imploravam o veneno. Minha saliva era ácido. Tanta vontade para nada. E de nada adiantou. Tudo continuou como estava. Eu salivando. E ela jogando aquele jogo inexistente enquanto brigávamos. Tanto esforço. E nada. Estou vivo. Corro riscos. Estou sujeito a tudo. Talvez a todos. Nada que uma boa dose de conhaque não resolva as pequenas ou grandes rusgas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário