Se, ao te conhecer,


Ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora. Me conta agora como hei de partir, nesses pingos de chuva gelados. Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, rompi com o mundo, queimei meus navios e deixei minhas trivialidades. Me diz pra onde é que inda posso ir se nós, nas travessuras das noites eternas já confundimos tanto as nossas pernas. Diz com que pernas eu devo seguir se entornaste a nossa sorte pelo chão, se na bagunça do teu coração meu sangue errou de veia e se perdeu. Como, se na desordem do armário embutido meu paletó enlaça o teu vestido e o meu sapato inda pisa no teu. Como, se nos amamos feito dois pagãos, teus seios inda estão nas minhas mãos. Não que seja perversão. Isso para cada ser tem um nome. Para mim, chama-se amor. Normal como dois amantes. Me explica com que cara eu vou sair. Te dei meus olhos pra tomares conta, e meu coração coloquei em suas mãos frias. Agora conta como hei de partir? Eu não vou partir. Eu vou ficar. Ficar aqui, mesmo que for parado, imóvel, intacto. Mas ficarei aqui, apreciando seus olhos, sua boca, seu nariz empinado e sua alma linda. Todos estão apostando suas fichas, ou só eu que estou vendo isso. Apostando quanto tempo ficaremos juntos. Eu te amo e que seja eterno enquanto dure. E que dure eternamente.

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