Abstinência de um homem
Estava ali. E não estava. A caminho de algum lugar, caminho lentamente, quase se arrastando na beira de uma rodovia. A escassez me tomou. O cansaço me consumiu. A abstinência se tornou sã e motor de meu corpo. Custava a andar. O que o movia era meus sonhos. Andara pela estrada com um corpo alterado, cuja razão e emoção não eram mais sensatas. Os carros colados em meu corpo, queriam arrancar sua roupa, e sua vida. A luz era forte. Meus olhos embaçavam. Cansaço. Possíveis milagres, ou apenas destino mudaram a rotina do homem. Aparecera uma estrela brilhante ao céu. Não era apenas uma estrela. Era a primeira. O homem acreditara, que se visse uma estrela no céu, poderia fazer um único pedido. E assim fez. Meu estado solitário, era visivelmente visível. Pessoas. Poucas, mas que não deixaram de ser pessoas, olhavam o com caras desconfiadas e julgadoras. As flores no caminho, eram cheirosas. Pareciam seda. Existia, estrada e abismo. Escolha. Continuar andando pela estrada, com esse cansaço incalculável, ou pular e acabar logo com essa abstinência dominante. Não se mataria nunca. Apesar de estar esgotado de tudo. Esgotado de amores, magias, fantasias, valores, sonhos e seres. A morte não seria o melhor caminho. Ainda mais dessa forma. Era preferível e aconselhável, continuar andando. E assim fez. O homem continuou e se deu conta que andaria mesmo se não tivesse membros, apenas com o coração pulsando. Homem de sonhos. Olho cheio de lágrimas. O homem não choraria. Iria segurar até não aguentar. Não choraria pelos sonhos não alcançados, por não valer á pena, ou simplesmente por escolha. Continuou andando, até conseguir chegar aonde iria chegar. Chegando em um certo trecho do percurso, o homem vira um outro homem. Não era só outro homem. Era um doente. Leproso, ou qualquer ser que tenha seus temiliques intermináveis. Surpreso. Era visível que o homem, apesar de difícil lhe impressionar, foi surpreendido. Não porque o outro homem era doente. Era porque aquele homem que vira, seguia o seu caminho em direção oposta, apesar de cansado. Então, o homem, com os olhos lacrimejando, deixa escorrer água salgada. Porque não aguentou suportar. Não aguentou suportar porque conseguiu enxergar a indiferença impostas pelos outros homem. E o amor inexistente.
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